Metrô de Belo Horizonte

O arquiteto, Renato Melo, projetou independentemente um mapa de metrô para Belo Horizonte, sem contrapartida financeira. Simplesmente utilizou seus conhecimentos para imaginar o que seria de fato um transporte público de qualidade na capital dos mineiros. Ainda mais levando-se em consideração que a cidade será uma das sedes da Copa do Mundo daqui a dois anos, em 2014. Na descrição do seu projeto, o arquiteto sustenta que Minas Gerais possui extensão territorial e população suficientes para obrigar o Estado a investir muito mais em transporte público de qualidade sócio-ambiental. A passagem de metrô é sempre mais barata do que a de ônibus em qualquer cidade que já adota essa espécie de transporte. Além de emitir muito menos gás carbônico na atmosfera e não depender das variações do preço internacional do barril do petróleo, manipulado por um cartel internacional do qual o Brasil não participa. O trânsito de Belo Horizonte é caótico e a tendência é só piorar. A barreira de 1.000.000 de carros em circulação já foi ultrapassada. Há dados que demonstram que a frota da cidade duplicou entre 2001 e 2011. Sem falar no fato de que a indústria automotiva continua a produzir veículos, sendo os dados de sua comercialização critérios de verificação do ritmo econômico do país. Quando a taxa de produção e comercialização de veículos cai de um mês para o outro, o ministro da Fazenda resolve adotar alguma medida de incentivo do consumo como, por exemplo, a redução das alíquotas do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI). É uma visão imediatista que não se sustentará ad infinitum. Essa bomba vai estourar na mão de alguém. Ao pensar a economia de modo um pouco menos superficial, vê-se que ela acaba por se prejudicar num espaço físico onde as pessoas e os bens não podem circular com facilidade. Tudo isso dificulta as relações econômicas, que não sejam aquelas envolvidas com a indústria automotiva, quais sejam, o setor de combustíveis, peças, manutenção e produção. Há que se mudar rápido a forma de ver o mundo, em que o carro seja considerado tão anacrônico quanto uma caravela. Uma ênfase no transporte coletivo faz bem a todos, independente de classe. O homem, o meio ambiente, a natureza e, para convencer aqueles que acham que tudo gira em torno de dinheiro,  a própria economia se beneficiariam de uma revolução política que privilegiasse o público sem impedir a existência do particular. Tal transformação do sistema de transporte social é condicionada, por sua vez, a uma tomada de posição e à prática de ações individuais que repercutam no Estado. Eis o valor do trabalho de Renato Melo. Para quem conhece Belo Horizonte, é fascinante viajar por suas estações, mesmo que tudo não passe de um sonho, que merece ser vivido um dia.

Projeto de Renato Melo para o metrô de Belo Horizonte.

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