Lista de Furnas frita Aécio e Alckmin

Para quem, como eu, que achava que o livro A Privataria Tucana de Amaury Ribeiro Júnior, lançado há pouco mais de um mês seria o máximo de sujeira que a ala conservadora da política brasileira poderia produzir, enganou-se. Vem mais coisa por aí e dessa vez é para grudar no ex-governador de Minas Gerais e atual senador, Aécio Neves. Trata-se da “Lista de Furnas”, que traria o nome de políticos que receberiam dinheiro público via Furnas. Houve quem tentasse alegar que a lista é falsa e teria sido forjada para blindar o ex-presidente Lula das acusações do “mensalão”, como é o caso da revista Veja, eterna reacionária. Entretanto, sua autenticidade foi comprovada nos autos do processo criminal 024.06.029.163-0 cuja sentença proferida em 2009 pela juíza Maria Luiza de Marilac Alvarenga Araújo fundou-se em laudo feito pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal.

Pela “Lista de Furnas”, os candidatos do PSDB ao pleito de 2002 receberam R$39.900.000,00, distribuídos entre 156 políticos através de empresas fornecedoras da estatal elétrica. O PFL, hoje DEM, é o segundo maior beneficiário do esquema com o recebimento de pouco mais de R$5.400.000,00. O interessante é que dentro do PSDB, o dinheiro não fora distribuído igualitariamente entre os políticos, o que demonstra que a igualdade não é defendida nem por si mesmos. A tríade José Serra (candidato à presidência), Geraldo Alckmin (candidato ao governo de São Paulo) e Aécio Neves (candidato ao governo de Minas Gerais) abocanharam mais da metade da quota do PSDB.

O esquema era operado pelo então presidente de Furnas, Dimas Toledo, nomeado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Ao se analisar a “Lista de Furnas”, percebe-se que vários políticos que dela fazem parte, se gabam de serem os batiões da moralidade pública como, por exemplo, Antônio Carlos Magalhães Neto que, embora tenha recebido R$75.000,00 de Furnas, fez um enorme alarido quando componente da CPI dos Correios.

Em dezembro de 2011, publica-se A Privataria Tucana, livro fundado em investigações jornalísticas feitas pelo Estado de Minas a pedido de Aécio, que põe fim à carreira política de Serra. Nos últimos dias, comentava-se que o paulista levaria o mineiro ao ostracismo político. O fato é que no dia 3 de janeiro de 2011, o deputado estadual de Minas Gerais pelo PMDB, Antônio Júlio, admitiu publicamente ter recebido R$150.000,00 de Dimas Toledo, no tempo em que este era presidente de Furnas. Até esta data, o único político da “Lista de Furnas” que havia confessado ter recebido dinheiro público no esquema fora Roberto Jefferson, em 2006, que também denunciara o “mensalão” um ano antes. Até recibo da operação Antônio Júlio apresentou na semana passada.

Supondo-se que tenha o dedo do Serra neste retorno à pauta da “Lista de Furnas”, as implicações disso são trágicas para o seu próprio partido. Se Serra queria acabar com o futuro político de Aécio, vai ter que levar Alckmin junto. Em poucos meses, o PSDB perdeu Serra, Aécio e Alckmin. O Fernando Henrique carrega a culpa eterna da crise econômica, conforme o artigo do Antônio Delfim Netto de ontem na Folha de S. Paulo. Qual será o nome do partido para enfrentar a presidente Dilma Rousseff daqui a dois anos?

Com a palavra, a procuradora Andrea Bayão do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, onde fica a sede de Furnas. O “mensalão” será julgado em maio. E a “privataria tucana”? E a “Lista de Furnas”?

Gráficos de distribuição do dinheiro público, "Lista de Furnas", perícia quanto a autenticidade da lista e o recibo apresentado pelo deputado estadual Antônio Júlio.

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