Brasil: 10 anos de capitalismo de Estado

Nos últimos 40 anos, as doutrinas neoliberais da “Escola de Chicago” viraram febre entre os governos do mundo ocidental, salvo Cuba, precipitando as suas economias a uma grave crise em muito semelhante àquela outra tão famosa por ter dado o gás final à ascensão do nazismo na Europa. A bem da verdade, embora o Neoliberalismo tenha sido pensado nos anos 1950, sua aplicação sistemática se deu entre o golpe de Estado no Chile, em 1973, e o “corralito” argentino de 2002, último ato de uma tragédia iniciada em 1997 pelos países do sudeste asiático, continuada pela Rússia (1998) e pelo Brasil (1999). A partir de então, os Estados que conseguiram escapar com menos danos das armadilhas neoliberais, como é o caso do Brasil, que, a seguir o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, estaria nas mesmas profundezas da crise econômica que outros emergentes, adotaram um outro rumo muitas vezes confundido como uma guinada à soviética. Para nós, esse momento se deu com a eleição de Lula.

Contra tudo e contra todos, o governo do PT ignorou as pressões políticas das classes conservadoras e representantes dos interesses do capital internacional, conseguindo-se manter no poder há pouco mais de nove anos, tempo suficiente para dar nova cara à economia nacional em nada parecida com o padrão iniciado com Fernando Collor de Mello, em 1990, seguido por Itamar Franco a partir de meados de 1992 e radicalizado por Fernando Henrique Cardoso entre 1995 e 2002.

A quebra do banco Lehman Brothers, em 2008, só veio a confirmar a boa escolha feita pelo povo brasileiro. Os países que se gabam de ter uma economia sólida e inabalável são obrigados a rever essa posição, talvez tarde demais. A Espanha e a Irlanda que há até bem pouco tempo eram exemplos de sucesso econômico, como o fora a Argentina de Carlos Menem, hoje estão na iminência da bancarrota. A Grécia já quebrou, só não anunciou. Há informações que a economia grega, se tudo continuar como está, não será capaz de se recuperar antes de 2040, isto é, duas gerações de gregos perdidas pelo Neoliberalismo.

Nestes novos tempos, aqueles que há cerca de uma década tiveram a coragem de traçar um caminho independente, são avaliados como os novos protagonistas econômicos internacionais, merecendo elogios de inúmeros sujeitos que até bem pouco tempo estavam no outro barco, aquele que afunda a passos largos. Cuidado com eles!

A revista The Economist tem chamado a forma de produção dos novos protagonistas econômicos de capitalismo de Estado (“State capitalism”) que nada mais é do que um sistema econômico fundado na livre iniciativa e na propriedade privada em que o Estado participa ativamente, diferentemente dos argumentos à moda de Adam Smith da Escola de Chicago tão avessos a qualquer participação estatal na economia.

A China, que age dessa forma há mais de 30 anos, participa hoje com 18% do volume do comércio global, crescendo a uma taxa anual de 9,5%. Seu produto interno bruto (PIB) cresceu desde o “corralito” argentino nada menos do que US$11 trilhões.

A presença do Estado é tal que as 13 maiores companhias de petróleo, detentoras de 75% de todas as reservas mundiais, possuem algum tipo de controle estatal. O Estado russo, que tanto sofreu com o Neoliberalismo a partir da crise cambial de 1998, controla hoje a maior empresa de gás natural do mundo, a Gazprom.

Nas bolsas de valores, as empresas estatais continuam a se valorizar, independentemente do que acontece naqueles países que preferiram não se proteger das especulações irresponsáveis dos agentes econômicos privados. Desde o início da crise, as estatais chinesas valorizaram 80%, as russas 62% e as brasileiras 38%, o que comprova a irrealidade da tese que defende ser a privatização de estatais uma medida benéfica para a economia nacional. Os únicos beneficiados pelas privatizações são os particulares que adquirem parte da empresa e, no caso brasileiro, os políticos que intermediavam as vendas como bem retrata o livro A Privataria Tucana de Amaury Ribeiro Jr.

Mesmo naquelas estatais que já foram privatizadas, os governos capitalistas de Estado têm tomado atitudes para enquadrar determinadas diretrizes empresariais consideradas de grande importância para sociedade nacional. No Brasil, é relevante lembrar que o governo federal forçou, há pouco tempo, a demissão de um importante chefe da mineradora Vale SA. Esta que fora um dia a Companhia Vale do Rio Doce, criada por Getúlio Vargas em 1942, privatizada por Fernando Henrique em 1997 e, por que não dizer, enquadrada por Dilma Rousseff em 2011?

Dados sobre o capitalismo de Estado, apresentados por "The Economist"

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