A propriedade de poucos vale mais que a de muitos?

48 horas após o pior episódio de autoritarismo da história recente do Brasil, o governo estadual de São Paulo continua a adotar suas medidas de exceção que em nada lembram a “realidade” de que o País vive há 27 anos num estado democrático de direito. Quanto mais se lê sobre os desdobramentos da atuação da Polícia Militar no bairro Pinheirinho de São José dos Campos, mais se tem a impressão que se está vivendo nos anos de chumbo da ditadura militar de 1964 a 1985.

Hoje, a notícia que corre na imprensa é que o governador Geraldo Alckmin, através da sua polícia oligárquica, impede que os moradores tenham acesso aos seus pertences. As casas estão sendo derrubadas com os móveis em seu interior. Escandalizados com mais esse desrespeito e ilicitude, pois, se o imóvel é da empresa falida do sonegador Naji Nahas, os móveis são seus; os ex-moradores veem seus bens serem jogados no lixo junto com o entulho das moradias. A única propriedade privada que o governo estadual tem respeitado é a dos poderosos.

Se foi a propriedade privada mal utilizada que motivou o cometimento de uma série de crimes e deslealdades por parte do Estado paulista, por que ela não foi também protegida quanto aos bens de uso diário de alguns cidadãos menos abastados que o criminoso Nahas? Há diferença entre a propriedade de uns e de outros? Se sim, mais uma prova do caráter fascista da administração estadual. Se não, mais uma prova da marginalidade da política pública de Alckmin. E o pior é que a imprensa não tem acesso ao local. Nem isso tem permitido o governador, mesmo com o bairro do Pinhieirinho inteiramente desocupado!

Qual seria o medo?

Há um cordão de isolamento que impede a passagem dos populares, como aconteceu conosco d’A rês pública na tarde do fatídico 22 de janeiro de 2012, e há outro que impede a passagem da imprensa credenciada. Há uma zona cinzenta do Pinheirinho em que as atrocidades do poder público não podem ser testemunhadas pela sociedade civil. O medo de Alckmin é que surjam mais provas da ilegalidade da operação. Tudo para ficar entre a palavra de um lado contra a do outro. A palavra do povo contra a palavra da oligarquia. Mas não adianta governador, o que se tem, parafraseando Luís Nassif, já é mais que suficiente para lhe acompanhar como a chaga eterna da vergonha.

No Pinheirinho, a polícia oligárquica tenta censurar o que já é notório.

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