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5 de fevereiro de 2012

PM pratica violência sexual no Pinheirinho

No dia 1o. de fevereiro de 2012, alguns ex-moradores do Pinheirinho comparecerem ao gabinete da 10a. Promotoria de Justiça de São José dos Campos/SP, acompanhados do senador Eduardo Suplicy, para declarar que na noite de 22 de janeiro de 2012, dia da desocupação forçada do bairro por forças da Polícia Militar paulista, eles foram vítimas de violência sexual por parte de uma dúzia de policiais do Grupamento ROTA.

Os policiais teriam invadido a casa onde estavam quatro pessoas e, puxando uma mulher pelos cabelos, levaram-na para um lugar vazio do imóvel onde ficou por quatro horas sendo seviciada por eles. Ela contou ao representante do Ministério Público estadual que foi abusada sexualmente (sexo oral, apalpação vaginal e dos seios). Além disso, o adolescente que também estava no grupo teria sido ameaçado de “empalação com um cabo de vassoura untado de creme e pomada”. O jornalista Luiz Carlos Azenha chega a afirmar que o “rapaz que as acompanhava foi empalado com um cabo de vassoura – e encontra-se preso até o momento”.*

Quanto mais o tempo passa, mais crimes são descobertos nesta trágica operação da polícia estadual. A mesma turma que torturava nos tempos de ditadura militar continua a ocupar os altos comandos das forças policiais. Embora todos os tratados internacionais sobre direitos humanos dos quais o Brasil é signatário prevejam a imprescritibilidade do crime de tortura e o Brasil tenha sido julgado culpado na Corte interamericana de direitos humanos sobre o caso da Guerrilha do Araguaia, até hoje nenhum seviciador daqueles sombrios tempos se apresentou em juízo para se explicar. Se os torturadores são tão orgulhosos dos serviços prestados à pátria naqueles anos, por que não fazem então questão de se apresentaram publicamente para defenderem seus pontos de vista? A resposta é simples: a covardia tão característica da oligarquia brasileira não os deixa sair do esconderijo em que entraram. É a única direita do mundo que tem vergonha de se assumir enquanto tal. Todos os outros países têm sua corrente conservadora, reacionária e preconceituosa que se orgulha disso e assume seus pontos de vista. Por que é tão difícil assumir o autoritarismo?

Travestir de democrático e legal um regime fascista de aplicação da lei a alguns, a não aplicação da lei a poucos e a aplicação da violência ilegal em muitos, como o fez o estado de São Paulo neste episódio do Pinheirinho é a maior covardia que se pode esperar de uma corrente política que não tem coragem de mostrar sua verdadeira face à sociedade. A alternativa é a mentira, que tem sempre a perna curta. Pode demorar um pouco, pode demorar muito. Mas a verdade sempre vem à tona. Mais cedo ou mais tarde, os criminosos do Pinheirinho vão ter que responder pelos seus, mesmo que seja no âmbito político ou moral, que costumam ser muito mais eficientes que o âmbito jurídico, muitas vezes, conivente. A Privataria Tucana demorou alguns anos, mas chegou ao público pela pena de um jornalista e pelo trabalho de divulgação de setores comprometidos com a informação verdadeira. Eis que chegou enfim o grande momento de passar essa história a limpo. A verdade do Pinheirinho vem surgindo pouco a pouco. Serra vai pagar o que fez ao Brasil, quando do esquema de propina e lavagem de dinheiro através da privatização do patrimônio da nação. Fernando Henrique já vem pagando suas escolhas nesses quase dez anos de ostracismo. É outro que precisa ficar escondido em ano eleitoral para não prejudicar o PSDB. Alckmin também já calcula os prejuízos políticos com o desastre de São José dos Campos. Agora é a vez da polícia. A começar pelo coronel Manoel Messias de Mello e seus comandados. Os torturadores brasileiros têm que começar já a pagar por seus crimes. Logo! Por isso que não acredito que a presidente Dilma Rousseff, que esteve nas mãos dos mesmos carrascos, não faz muito tempo, não esteja empenhada em pegá-los agora que não existe nenhuma Lei da Anistia em que se esconder.

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*Para a informação de Azenha, acesse http://www.viomundo.com.br/denuncias/suplicy-ex-moradores-do-pinheirinho-foram-vitimas-de-violencia-sexual-praticada-por-pms.html?utm_source=twitterfeed&utm_medium=facebook

5 de fevereiro de 2012

Um

Por Valeriano Penaforte*

Eu sou um e só um.

 

 

 

 

 

 

*Valeriano Penaforte é poeta e publica n’A rês pública todos os domingos.

5 de fevereiro de 2012

Encontrado desaparecido do Pinheirinho

Depois da operação de desocupação forçada levada a cabo pela Polícia Militar de São Paulo em vista do cumprimento de decisão liminar da Justiça Estadual para a reintegração de posse do bairro do Pinheirinho de São José dos Campos/SP cuja proprietária é uma empresa falida do sonegador Naji Nahas e ocupada por sem-teto desde 2004, a versão oficial dizia que tudo tinha saído muito bem, que a polícia tinha agido corretamente e que nada de anormal tinha acontecido aos civis inocentes e desarmados que viviam irregularmente naquela área. Pouco depois começaram a aparecer denúncia de desaparecimentos e assassinatos, como já foi informado n’A rês pública. Dentre os desaparecidos estava Ivo Teles dos Santos, nascido em Ilhéus/BA em 14 de fevereiro de 1942, conforme a carteira de identidade 27106829-2 da SSP/SP.

Depois de duas semanas desaparecido, Ivo foi encontrado na UTI do Hospital Municipal de São José dos Campos, em coma. Embora o hospital se recuse a apresentar o Boletim de Atendimento de Urgência (BAU) sem ordem judicial, foi apresentado um relatório do médico de plantão, Luís Carlos Nacácio e Silva (CRM 70-867) em que consta que Ivo deu entrada no hospital às 18h30 de 22 de janeiro de 2012, isto é, 12 horas depois de iniciada a desocupação forçada do bairro em que morava, apresentando “quadro confusional e crise hipertensiva”. Os exames demonstraram a existência de um acidente vascular cerebral hemorrágico (AVCH).

Relatório médico sobre o estado de saúde de Ivo Teles dos Santos.

A reportagem do jornal O Vale, eterno defensor do prefeito Eduardo Cury e da Polícia Militar paulista, chegou a entrevistar o idoso naquele domingo que dizia ter sido “‘espancado’ por três policiais quando deixava o Pinheirinho”. Logo, no mesmo dia em que deu entrada na UTI do Hospital Municipal de São José dos Campos, ele estava no Pinheirinho e foi espancado por policiais. Qual a probabilidade do coma de Ivo ser resultado da honrada atuação da tropa do Cel. Messias? Quando o BAU for divulgado, conheceremos mais detalhes do massacre perpetrado contra civis pelas forças de ordem do governador Geraldo Alckmin.

Reportagem d'O Vale com entrevista de Ivo Teles Santos, de 23 de janeiro de 2012.

Se não bastassem todos esses crimes, na calada da noite, depois da desocupação forçada do Pinheirinho, o prefeito Cury simplesmente presenteou Naji Nahas com R$1.600.000,00 dos cofres públicos. A dívida da proprietária do terreno do Pinheirinho, a empresa falida Selecta S.A., com a prefeitura de São José dos Campos por falta de pagamento do IPTU alcançava, em fins de 2011, a cifra de R$2.000.000,00. Depois do massacre do Pinheirinho, em início de fevereiro de 2012, a mesma dívida havia sido reduzida para apenas R$400.000,00. Isso significa que Cury usou dinheiro público para presentear o amigo Nahas. Mais uma vez o PSDB privatiza ilicitamente riqueza pública… A Privataria Tucana não tem fim!

A privataria de R$1,6 milhão feita por Cury em favor de Nahas.