América para os americanos

Quase 30 anos depois do fim da Guerra das Malvinas, que ocorreu entre 2 de abril e 14 de junho de 1982, argentinos e britânicos voltam a discutir o estatuto jurídico do arquipélago sob soberania do Reino Unido desde 1833.

Toda vez em que há alguma questão política mais polêmica pressionando o governo de um dos dois Estados, dá-se um jeito de colocar as Malvinas no centro do debate do público. A Argentina foi à guerra em 1982, um ano antes da extinção jurídica de sua sangrenta ditadura militar.

Agora, numa Europa em crise desde 2008 onde as taxas de desemprego sobem vertiginosamente, são os ingleses que decidiram militarizar o arquipélago sul-americano ao enviar uma frota militar ao mar territorial austral.

Em janeiro de 2012, a Grã-Bretanha decidiu encaminhar às ilhas Falkland um destróier HMS Dauntless com o intuito de atualizar a aparelhagem militar do arquipélago. Há informações de que os ingleses teriam também enviado à região um submarino nuclear. Por esse motivo , a Argentina apresentou formalmente uma notificação às Nações Unidas, em Nova York.

Não por coincidência, esteve o príncipe William nas Malvinas para uma missão militar de seis semanas. Para o primeiro-ministro britânico, David Cameron, são os argentinos os colonialistas, pois a Inglaterra exerce a soberania sobre o território há quase dois séculos e a população local de cerca de 3.000 pessoas não demonstra nenhuma reivindicação de estar submetida à autoridade da Argentina.

Cameron tem razão. Não só os ingleses estão nas Malvinas há muitos anos, como a população local se vê como súdita da rainha Elizabeth II. Mas isso não significa ser essa uma solução jurídica definitiva para a reivindicação soberana argentina, pois se sabe que as ilhas geograficamente têm uma grande identidade com o país americano, além de historicamente haver registro de presença de colonos argentinos nas Malvinas na década de 1820, antes do completo domínio britânico.

Os Estados sul-americanos apóiam os argentinos na disputa. O apoio não vem apenas daqueles países que formam o cone-sul e que poderiam se sentir ameaçados com a presença de uma potência econômico-militar a 460Km da costa do continente, mas também daqueles que geograficamente não teriam nada a ganhar com o questionamento da soberania britânica, como é o caso da Venezuela e do Equador.

Em solidariedade à Argentina, o Uruguai organizou em 10 de fevereiro de 2012 um fórum internacional de discussão dedicado às Malvinas e sediado em Punta del Este. O Brasil não permite que aportem em seu território navios com o pavilhão das ilhas britânicas sul-americanas. O Chile, que um dia fora governado por Augusto Pinochet e que apoiara as forças armadas da amiga Margaret Thatcher contra os argentinos, hoje, não estabelece qualquer vínculo com pessoas ou bens provenientes das Malvinas.

 

As Nações Unidas consideram as ilhas como território não-autônomo, isto é, as Malvinas não são consideradas parte do território da Grã-Bretanha, mas uma porção territorial de tipo colonial, submetida à autoridade daquele Estado. Logo, segundo o direito internacional, para a maioria dos membros da comunidade internacional, a titularidade das Malvinas não é um caso encerrado.

Diante da posição desfavorável dos parceiros internacionais, Cameron já anunciou que “Londres defenderá as Falklands”, o que quer dizer que o governo inglês não medirá esforços para proteger as reservas minerais das ilhas que, segundo estudos da empresa Edison Investment Research, valeriam cerca de US$175 bilhões. Nada mal para um país que vê se aproximar a passos largos uma crise econômica sem precedentes no passado recente.

Há quem sugira que a melhor solução seria um compartilhamento de soberania sobre as ilhas em que os dois Estados envolvidos instituiriam uma espécie de condomínio sobre o território insular. Isso implicaria que a Grã-Bretanha, em respeito ao direito internacional, teria que abrir mão de mais de US$80 bilhões em favor da Argentina. Os Estados imperialistas não têm, infelizmente, o hábito de respeitar as normas internacionais quando estão em jogo riquezas minerais, como bem demonstra a tragédia imposta pelo Estados Unidos aos povos do Oriente Médio.

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One Comment to “América para os americanos”

  1. eu amei faser esta pesquisa escolar pois meu professor ben que me avisou que a materia seria longa mais muito divertida e alegrosa de se estudar.Espero que voceis que estan lendo estuden bastante para aprender tudo ou ate mais oque eu aprendi

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