FHC e Aécio nas mãos de Serra

Realmente esse mundo político é imprevisível e incoerente. Em início de dezembro de 2011, a carreira política de José Serra parecia definitivamente encerrada com a publicação do livro A Privataria Tucana em que são enfim divulgados detalhes dos crimes cometidos pelo alto escalão do PSDB no processo de privatização de empresas estatais, ocorrido durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. As informações apresentadas pelo autor não só inviabilizam qualquer eleição de Serra, então ministro, a qualquer cargo público, como é mais que suficiente para a apresentação de denúncia pelo Ministério Público em vista de sua responsabilização penal. É questão de tempo a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dedicada à análise do esquema de lavagem de dinheiro e propina nas privatizações financiadas com dinheiro público via BNDES.

Diante do fato incontestável, restou a Serra dizer que o livro era um lixo. As demais lideranças do partido não opinaram a respeito, mas Fernando Henrique, cuja reputação não há como piorar, chegou a confidenciar em fins de janeiro de 2012 que “a minha cota de Serra deu. Ele foi duas vezes meu ministro, duas vezes candidato a presidente, candidato a governador e a prefeito. Chega, não tenho mais paciência com ele”. Fernando Henrique, fundado no seu currículo político inatingível por Serra, transformava-se em menino de recados das lideranças do partido. O PSDB informava a Serra que sua história de candidatura havia chegado ao fim, não só no que dizia respeito à presidência mas também a cargos inferiores como o de governador e… prefeito.

Satisfeito ficou Aécio Neves, concorrente eterno de Serra, que pôde vislumbrar pela primeira vez o caminho tranquilo à candidatura à presidência da República pelo PSDB. Fernando Henrique, o menino de recados do PSDB, em entrevista a The Economist afirmou que o ex-governador de Minas Gerais era o candidato “óbvio” do seu partido para enfrentar a presidente Dilma Rousseff. Serra, incomunicável depois da publicação do livro de Amaury Ribeiro Jr., entendia muito bem o segundo recado do PSDB. O partido não contava mais com ele para ser candidato a nada. Além disso, soube que a escolha para as eleições de 2014 havia sido feita. Seu arqui-inimigo mineiro teria sua chance de disputar a presidência da República.

 

Aécio, relaxado, parou de se preocupar com a constante presença de Serra. Este era carta fora do baralho. Agora era só comemorar. Foi considerado a decepção parlamentar de 2011. Em 2012, faz tudo, menos trabalhar no Congresso Nacional. O senador está por todo o Brasil, salvo em Brasília onde deveria exercer o mandato concedido pelo povo mineiro. Há quem diga que é assim mesmo; que ele está na verdade em campanha presidencial com dois anos de antecedência. Mesmo assim não se justifica a sua omissão parlamentar. Ele poderia tentar se destacar naquela função para a qual foi eleito em 2010. Mas parece que o político só pensa mesmo em festa e curtição. A última notícia dá conta de que ele foi visto fazendo mergulho em Fernando de Noronha ao lado de Fafá de Belém. É Globeleza, meu povo!

O fato novo é que parece que Aécio se esqueceu que as informações d’A Privataria Tucana só foram obtidas depois que ele pediu ao jornal Estado de Minas que descobrisse quem era o responsável pela espionagem que ele sofria quando da definição do candidato do PSDB à sucessão de Lula no Planalto. Amaury Ribeiro Jr. soube que eram serristas os espiões que acompanham Aécio pelas baladas cariocas. Foi assim que o jornalista mineiro passou a investigar Serra e descobriu a podridão do esquema criminoso das privatizações do governo de Fernando Henrique.

Mas onde está o dossiê contra Aécio, feito em 2009? Onde está o dossiê contra Fernando Henrique, feito durante o seu governo?

É só perguntar para o atual candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo/SP e quem volta “à cena política com força”, podendo inclusive disputar a presidência no futuro… Quem seria esse político?

 

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