Patrus para prefeito de BH

José Serra anunciou sua candidatura à prefeitura de São Paulo/SP pelo PSDB como um desafio eleitoral de âmbito nacional. Exageros à parte como é próprio de Serra, famoso por sua arrogância e seu orgulho, há certa verdade quando diz que o resultado da eleição municipal na capital paulista pode influenciar a disputa presidencial em 2014, quando a presidente Dilma Rousseff do PT poderá concorrer à reeleição. Isso se deve ao fato de que São Paulo é a principal cidade do Brasil em termos econômicos. Lá vivem mais de onze milhões de habitantes, o que equivale que neste município se encontram cerca de 6% dos brasileiros. Se se levar em conta a população da Grande São Paulo, esse índice sobe para pouco mais de 10% da população nacional. Em termos eleitorais, só a cidade de São Paulo corresponde a mais de sete milhões de pessoas aptas a votar. Não se pode desprezar a força eleitoral dos paulistanos em termos nacionais.

Fora a questão quantitativa, São Paulo, como todas as demais capitais estaduais, possui uma influência política muito forte nos municípios do interior. O estado de São Paulo, como seus mais de 40 milhões de habitantes, é democraticamente o suporte eleitoral do governo federal. Em vista desta conjuntura, ser prefeito da capital paulista pode, sim, moldar politicamente o estado, ainda mais levando-se em conta a homogeneidade socioeconômica dos municípios do estado.

José Serra, apesar dos crimes de lesa-pátria cometidos durante o governo de Fernando Henrique Cardoso no esquema da privataria tucana, possui uma grande aceitação entre os paulistanos mais conservadores. As primeiras pesquisas dão conta de que Serra, após a divulgação da intenção de se candidatar à prefeitura de São Paulo, assumiu a ponta com 30% das intenções de voto. Já o candidato do PT, o também ex-ministro Fernando Haddad se encontra com 3%. Claro é que a campanha ainda não se iniciou e muita coisa pode acontecer. Inevitavelmente o tema da privataria tucana virá à tona e o candidato Serra não poderá ignorá-lo como insistentemente tem feito. O ex-presidente Lula, extremamente popular e quem bancou a candidatura de Haddad, entrará forte na campanha, ainda mais curado do câncer da laringe, como tem informado a imprensa. Com o Lula como cabo eleitoral, qualquer pessoa pode se eleger, haja vista o que aconteceu com a Dilma em 2010.

Entretanto, o PSDB é muito forte em São Paulo e, mesmo com Lula, o PT corre sério risco de não levar a parada. Por isso, as forças políticas populares que desejam continuar no poder federal a partir de 1o. de janeiro de 2015 não podem cruzar os braços e assistir à disputa eleitoral paulistana, como se apenas ali estivesse sendo travada a disputa pelo futuro nacional. É aqui que entra Belo Horizonte/MG.

Minas Gerais é o segundo colégio eleitoral do Brasil. É aqui que o Norte pobre e o Sul rico se encontram e são obrigados a conviver. É o mediterrâneo brasileiro. O estado é o fiel da balança e, para onde pender, aí caminhará a nação. Daí advém a importância da prefeitura de Belo Horizonte. Diferentemente do que acontece em São Paulo, Belo Horizonte sempre foi marcada por administrações de viés mais esquerdista. Desde 1993 até 2008, a capital mineira foi administrada por Patrus Ananias do PT, por Célio de Castro do PSB e por Fernando Pimentel do PT. Depois de 16 anos no comando do principal município do estado, na iminência de mais um mandato do PT, o PSDB mineiro comandado pelo então governador Aécio Neves resolveu adotar uma estratégia de rompimento do domínio petista em Belo Horizonte.

Quando da definição dos candidatos a prefeito no pleito de 2008, Aécio se aproximou do então prefeito, Pimentel, que não poderia concorrer a um terceiro mandato, propondo-lhe um acordo em que o PT e o PSDB apoiariam um candidato único à prefeitura naquele ano, que não fosse de nenhuma das duas legendas. Em troca, Aécio apoiaria Pimentel ao governo de Minas em 2010, quando tivesse que deixar o Palácio da Liberdade.

Apesar dos protestos de correntes independentistas, o PT mineiro acabou formalizando o acordo que propiciou a eleição de Márcio Lacerda do PSB, atual prefeito de Belo Horizonte. Dois anos depois, Aécio trairia Fernando Pimentel ao apoiar seu secretário Antonio Anastasia, candidato do PSDB, ao governo estadual. O PT mineiro, que contava com a candidatura “única” de Pimentel, foi pego de surpresa e não conseguiu reagir a tempo, deixando de apresentar candidato próprio e, o pior, indicando Patrus como vice na chapa de Hélio Costa do PMDB. Depois do desastre de Nilmário Miranda em 2006, quando o PT nacional, em vista do apoio do PMDB à reeleição de Lula, exigiu que os petistas mineiros apoiassem Newton Cardoso ao senado; em 2010, foi a vez de Patrus ser o mártir do apoio do PMDB à Dilma com a composição da chapa de Hélio Costa. No final da história, quem ganhou foi o PSDB de Aécio que elegeu Anastasia ao governo e tirou o PT da prefeitura de Belo Horizonte.

Em 2012, ano de eleição municipal. O prefeito Lacerda deseja se reeleger. Qual será o papel do PT mineiro? Há informação de que Pimentel, ministro de Dilma, apóia a reeleição de Lacerda em prol da coerência. Outros dizem que se Lacerda for apoiado pelo PT, isso fortaleceria ainda mais o PSDB mineiro em detrimento do PSDB paulista – o grande rival do PT nacional – e as chances de Serra não ser o candidato a presidente em 2014 aumentam. Mas o problema é que entregando mais uma vez de bandeja uma vitória eleitoral a Aécio, o PT poderá comprometer a reeleição de Dilma, pois Minas Gerais, como fiel da balança, penderia para o Sul.

De acordo com esse raciocínio, a melhor alternativa ao PT mineiro é lançar o Patrus como candidato a prefeito dos belo-horizontinos e criar um contrapeso político na capital do segundo maior colégio eleitoral a uma eventual vitória de Serra na capital do primeiro. Patrus tem bagagem política similar a de Serra. Combateu a ditadura militar, era membro da esquerda católica, advogado e professor de Direito, foi reconhecidamente um bom prefeito de Belo Horizonte entre 1992 e 1996, liderou o ministério de combate a miséria de Lula. Não há candidato do PSDB capaz de bater Patrus em Belo Horizonte. Sua vitória é certa. O PT assim colocaria um excelente beque para marcar homem-a-homem o principal atacante do PSDB. Fora o fato de Dilma garantir um palanque exclusivo no coração das Alterosas.

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