O novo Código Florestal é mais um gol da Copa do Mundo

O governo federal autorizou a formalização de um acordo sobre o novo Código Florestal cujo texto flexibiliza ainda mais a recuperação de áreas ilegalmente desmatadas pela anistia de pequenos e médios proprietários rurais, mantendo as penas por desmatamento ilegal aos grandes proprietários.

No embate de posições políticas divergentes, prevaleceu o entendimento dos parlamentares da bancada ruralista quanto à necessidade de supressão do texto legislativo do dispositivo estabelecendo faixas mínimas de recomposição das áreas de preservação permanente (APP) nas margens dos rios. Esse assunto seria regulado por medida provisória ou seria enviado ao Congresso Nacional um projeto de lei específico ao tema.

Segundo análises divulgadas pela grande imprensa, a supressão deste dispositivo significaria a consolidação do desmatamento em APP de 92% das propriedades rurais do Brasil. Consegue-se por vias tortas aprovar o espírito da então descartada proposta de anistia a qualquer desmate em APP ocorrido até 2008 e que foi duramente criticada em 2011.

A bancada ruralista fez o jogo certinho da democracia contemporânea. Elegeu-se em número suficiente para pressionar os outros parlamentares e o Poder Executivo quanto à aprovação de demandas pertinentes. Dessa vez a pressão foi feita com a ameaça de travar a aprovação da Lei Geral da Copa. Com os prazos vencendo, a presidente Dilma Rousseff tentou reverter o quadro até o momento em que a realização da Copa do Mundo nos moldes acertados com a FIFA passou a ficar comprometida. Mais um dos inúmeros prejuízos que este evento causará ao País.

Democracia é assim. Enquanto não surgirem verdadeiramente políticos comprometidos com a questão ambiental, capazes de serem eleitos em número suficiente para enfrentar os interesses ecologicamente nocivos de outros segmentos sociais e impor sua vontade, não dá para culpar ninguém pelo melancólico resultado das discussões legislativas sobre o novo Código Florestal.

Se há culpa, ela é do povo que democraticamente ainda prefere assistir no território nacional ao desmatamento de matas ciliares que a manutenção da diversidade biológica. Uma pena para nós outros que desejamos viver num outro mundo em que o homem possa viver em harmonia com a natureza. Cabe a nós continuar a participar politicamente da vida social a fim de alcançar o grau de engajamento e eficiência dos ruralistas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: