Em 2014, o PSDB vai de Andrada ou Júlio Prestes?

42uwxtu0tau9na7v46lojxa2kDurante boa parte da República Velha (1889-1930), a Oligarquia, que fazia seu candidato o vencedor das sempre fraudadas eleições, representava-se no jogo político através das seções estaduais do Partido Republicano (PR), embora cada uma se visse como um partido independente dos demais. Desta forma, havia o Partido Republicano Mineiro (PRM), assim como existiam o Partido Republicano Paulista (PRP), o Partido Republicano Fluminense (PRF), o Partido Republicano Rio-grandense (PRR) etc. O fato era que politicamente funcionava o partido oligárquico no qual se reuniam os diversos PR estaduais.

Durante boa parte da República Velha, foi costume do PR escolher como candidato oficial o representante maior do estado cujo titular do poder não pertencesse. Assim, se o presidente da República era do PRM, como o foi Arthur Bernardes entre 1922 e 1926, seu sucessor seria o último presidente (governador, nos termos atuais) de São Paulo e membro do PRP, Washington Luís, naquilo que se passou a conhecer como política do café-com-leite, pois era sempre gente de Minas e de São Paulo que se revezava como candidatos e, consequentemente, eleitos naqueles anos.

Em 1929, em tempos de definição do candidato do PR à sucessão do paulista Washington Luís, a se confirmar o critério representado pelo costume do café-com-leite, o último presidente de Minas Gerais, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, deveria ser o indicado pelo PRM. Entretanto, o presidente da República, contrariando o sistema, decidiu por apoiar outro membro do PRP, o então presidente de São Paulo, Júlio Prestes. O descontentamento das seções não-paulistas do PR foi enorme. Foi tal descontentamento que propiciou o apoio político de que tanto necessitavam os Tenentes desde a Revolta do Forte de Copacabana de 1922. Estava concebida a Revolução de 1930, que iria sepultar a República Velha.

Em 2009, 80 anos depois de Júlio Prestes ser indicado oficialmente candidato do PR, na nova República brasileira, reerguida com a promulgação da Constituição de 1988, o PSDB também se encontrava no momento de decidir quem seria seu candidato oficial no pleito do ano seguinte. Despontavam duas opções: Aécio Neves (PSDB-MG) e José Serra (PSDB-SP). Como este já havia sido o candidato derrotado em 2002 e, em 2006, outro paulista, Geraldo Alckmin, havia sido o escolhido, o mineiro achava que havia chegado sua hora.

A guerra suja dentro do PSDB que se viu a partir daí acabou por desembocar em chantagens fomentadas por dossiês cujo resultado mais palpável foi a produção do livro A Privataria Tucana de Amaury Ribeiro Júnior sobre os crimes cometidos quando do processo de privatização no governo de Fernando Henrique Cardoso pelo PSDB, do qual era ministro José Serra.

Nessa disputa interna, participaram inclusive órgãos de imprensa, que defendiam abertamente uma candidatura determinada. O ápice da participação política dentro do PSDB por parte da mídia foi o bombástico editorial d’O Estado de S. Paulo em 28 de fevereiro de 2009, assinado por Mauro Chaves e intitulado Pó pará, governador?

Coincidência ou não, o então governador de Minas decidiu parar. Aécio Neves sentiu o golpe dos paulistas do PSDB e não pagou para ver. Freou sua candidatura à presidência da República. Deixou o caminho livre para que José Serra fosse o adversário de Dilma Rousseff. Preferiu, por sua vez, disputar uma vaga no Senado, o que foi conquistado com certa facilidade em aliança com o ex-presidente, Itamar Franco.

Em 2010, José Serra perde mais uma vez as eleições presidenciais. Tenta a prefeitura de São Paulo em 2012, perde de novo. Para a maioria, essas duas derrotas significam o fim das pretensões políticas do paulista. Entretanto, há uma minoria, que está no PSDB-SP, que acredita estar em São Paulo o próximo candidato oficial do partido para 2014.

Aproveitando-se da fragilidade pós-eleição de José Serra, a cúpula nacional do PSDB, representada pelo pernambucano Sérgio Guerra, decide lançar ainda em 2012 o nome de Aécio Neves como candidato oficial do partido nas próximas eleições presidenciais. Será que dessa vez o PSDB conseguirá emplacar um candidato que não venhas da fileiras paulistas?

Ao que tudo indica, como prevê o próprio O Estado de S. Paulo de hoje, 13 de janeiro de 2013, no artigo Cúpula tucana fecha com Aécio e tira poder de Serra de Júlia Duailibi, “o comando do PSDB emplacará o senador mineiro como novo presidente do partido ao mesmo tempo em que deve minimizar o espaço do ex-governador José Serra”, Aécio Neves deverá ser o candidato do PSDB ano que vem. Mas, o perigo para o mineiro está justamente na força do paulista junto a setores muito fortes da sociedade brasileira, que se encontram em São Paulo. Por isso, o mesmo jornal não vê a parada decidida em favor de Aécio quando conclui que “o espaço na Executiva é visto como fundamental para o grupo serrista, que voltou a colocar na pauta a discussão sobre prévias para escolher o presidenciável.”

Na última vez que O Estado de S. Paulo mandou Aécio parar, este obedeceu. Hoje, ele sabe que Aécio tomou a dianteira dentro do PSDB, mas alerta aos paulistas da importância de conseguir dirigir o partido nos próximos meses para ainda viabilizar o nome de José Serra como candidato oficial.

Se, apesar de todos os indícios, Washington Luís escolher Júlio Prestes como candidato oficial, o que fará Antônio Carlos Ribeiro de Andrada?

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