O mensalão tucano

*Walter Franganiello Maierovitch

O primeiro mensaleiro tucano acaba de ser condenado. Atenção: em primeira instância e ele não teve foro privilegiado por força de conexão probatória e com relação ao atual deputado Eduardo Azeredo (PSDB).

O mensalão tucano deu certo para a reeleição ao governo de Minas Gerais, em 1998. O mensaleiro reeleito foi Eduardo Azeredo, aquele que se apresentava como o Catão, o censor. Ou melhor, O Catão das Alterosas.

O ‘ciou’ do mensalão tucano foi Marcos Valério. E Valério, depois e com currículum a exibir, ofereceu a sua fórmula de sucesso delinqencial ao Partido dos Trabalhadores. Por seru truno, o PT embarcou com o “nihil obstat” de José Dirceu e sob o seu comando. Tudo com a subserviência de José Genoíno e o ativismo do subalterno Delúbio Soares, um teleguiado de Dirceu.

No particular, tucanos e petistas foram iguais. No quesito originalidade delinquencial, os tucanos ganharam. Os petistas foram os paraguaios da contrafação. Os imitadores, sem originalidade.

Vale frisar que os tucanos contam, no campo da ética e da moralidade pública, com a agravante da reincidência. E isso em face da compra de votos de parlamentares para passar a emenda da reeleição de Fernando Henrique Cardoso (FHC). Com Brindeiro ( aquele apelidado de Engavetador Geral da União) no timão da Procuradoria, a investigação sobre a compra de votos da reeleição não deu em nada e foi para o vinagre um dos princípios fundamentais do pacto social original: Não deixar impunes os crimes e não punir os inocentes.

A propósito de FHC, ninguém lembrou o domínio dos fatos e nem considerou os indícios de suficiência que apontavam para o principal beneficiário do “pacto sceleris”, ou seja, Fernando Henrique Cardoso.

Parêntese. Toda vez que leio ou escrevo sobre o FHC, minha mente corre e se instala na cidade de Nápolis, no magnífico museu nacional de Capodimonte . Lá está o famoso quadro de Pieter Bruegel, elaborado em 1568, e com o título “cego guiando cegos” (Ciechi: la parábola dei ciechi). Lógico, na direção do precipício. Fechado o parêntese.

O condenado em primeiro grau no mensalão tucano foi Nélio Brant Magalhães, ex-diretor do banco Rural. Aliás, o mesmo banco Rural do outro mensalão.

Nélio vai poder recorrer em liberdade para o Tribunal Regional Federal. Depois, poderá bater à porta do Superior Tribunal de Justiça e, até, chegar ao Supremo Tribunal Federal. Tudo, se vivo for, pois a Justiça é lenta. A denúncia no mensalão tucano é de novembro de 2008 e a do mensalão petista foi recebida em 27 de agosto de 2007. No mensalão tucano, o STF reservou-se para julgar Azeredo por foro de prerrogativa de função e enviou a raia-miúda para a instância inferior. A raia-miúda, no mensalão petista, ficou sob a jurisdição suprema. Em outras palavras e processualmente ( p r o c e s s u a l m e n t e ), dois pesos e duas medidas. E o STF sempre surpreende: com relação à perda do mandato de Donadan, o STF empurrou para a Câmara (relatora Carmem Lúcia) e a do corrupto João Paulo Cunha, o excelso Pretório resolveu ele mesmo cassar.

Com contradições e tratamentos processuais diversos, seguem os dois mensalões: Ação Penal 470 e Ação Penal 536, agora sob relatoria do ministro Barroso. No fundo, os protagonistas são dois desqualificados: o empresário e lobista José Dirceu e o pluri-picareta do Eduardo Azeredo, ainda não condenado.

E viva o Brasil.

Image

*Este artigo está publicado no perfil do facebook de Walter Fanganiello Maierovitch.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: