Fumo de Baependi

Comemoram-se nesta semana os 90 anos do debute do modernismo brasileiro. Há quem discuta até hoje qual o grau de importância do movimento para o estabelecimento das bases culturais do Brasil contemporâneo. Na minha opinião, o modernismo, que a princípio fora incentivado pela elite cafeeira de São Paulo, tornou-se paulatinamente o espírito da vontade daqueles que queriam ver o país de fato independente. Não só politicamente, como se dera em 1822 com o brado do Ipiranga de D. Pedro I, mas também no que dizia respeito à economia e à cultura. Os modernistas rogaram a si o trabalho de nacionalização da cultura, enquanto os tenentes ficariam a cargo da emancipação econômica pela tomada do poder central das mãos dos cafeicultores.

Não é à toa que daqui a alguns meses, em 5 de julho, o Brasil comemorará outro 90o. aniversário de grande importância histórica para a formação da nação. Foi nesta data que aconteceu a revolta do Forte de Copacabana em que 16 dos 18 homens que tentaram impedir a posse do presidente Artur Bernardes, eleito pelos vícios da República Velha, tombaram nas areias da praia carioca. Os dois sobreviventes estariam dois anos depois no movimento de 5 de julho de 1924, considerado pontapé inicial da Coluna de Miguel Costa e Luís Carlos Prestes, que percorreria milhares que quilômetros pelo País até a internação na Bolívia em 1927. Os revolucionários de 22, 24 e da Coluna Prestes estariam de volta em 1929 com a campanha eleitoral da Aliança Liberal e, no ano seguinte, colocariam enfim fim ao poder oligárquico.

Em homenagem à Semana de Arte Moderna de 1922, estimuladora do fortalecimento do espírito nacional, deixo aqui os versos aos quais associo diretamente aquela época e que me remetem diretamente à cara amizade do colega dos tempos de Faculdade de Direito da UFMG, André Sales, natural de Baependi/MG em cuja região metropolitana estaria, segundo ele, a cidade de Caxambu.

Relicário (Oswald de Andrade)

No baile da Corte

Foi o conde d’Eu quem disse

Pra Dona Benvinda

Que farinha de Suruí

Pinga de Parati

Fumo de Baependi

É comê bebê pitá e caí

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